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Higiene íntima
Os cosméticos voltados para as mulheres são importantes para a saúde?

Agência Unipress Internacional
Gabriela Jaya

Nunca apareceu tanto cosmético voltado para a higiene íntima da mulher nas prateleiras dos supermercados e das farmácias quanto agora. O que antes nem existia, hoje está se tornando indispensável para elas. Mas será que os sabonetes (xampus) íntimos, lenços umedecidos e protetores diários são realmente importantes para a saúde íntima da mulher?

Segundo o ginecologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da UFRJ, Renato Ferrari, os sabonetes, ou xampus, íntimos se diferenciam dos sabonetes convencionais por possuir um pH mais adequado e pelo fato de serem líquidos, o que facilita a lavagem e sua total retirada pela água. Entretanto, o médico afirma que age da mesma forma que um sabonete neutro. “Os sabonetes íntimos têm um apelo de marketing maior, mas é a mesma coisa”, afirma.

O ginecologista ressalta que todos os sabonetes, tradicionais ou não, podem causar alergia, mas os produtos destinados às partes íntimas tentam ter menos corantes e substâncias que causam odor agradável apresentando menos risco de causar problema.
O médico “derruba” a ideia, muitas vezes vendida pelos fabricantes, de que esses produtos ajudam no equilíbrio da flora vaginal. “Esses xampus e sabonetes são para uso externo e a flora vaginal é interna. É uma jogada de marketing. Não devem existir trabalhos científicos que comprovem isso. O que pode desequilibrar a flora vaginal são as lavagens internas que não devem ser usadas sem orientação médica. Eu, por exemplo, raramente as prescrevo”, revela.

Quando o pH da flora vaginal está desequilibrado, a saúde pode ser prejudicada. Abaixo do normal (ácido) causa destruição das células vaginais, podendo ocasionar corrimento com prurido (sensação desagradável peculiar, causada por enfermidade ou agente irritante, que leva o indivíduo a coçar-se em procura de alívio). Já acima do normal (pH alcalino) pode desenvolver doenças que resultam em corrimento não muito abundante, mas com forte odor.

Controlando o pH

Dr. Renato afirma que é possível contribuir, com algumas medidas simples, para melhorar a saúde íntima da mulher. Entre elas, evitar o uso de calça jeans apertada e de absorventes íntimos por eles elevarem a temperatura da vulva e diminuírem a transpiração do local.

“Isso predispõe os quadros irritativos e até alérgicos naquelas pessoas mais propensas, além de predispor o aparecimento da candidíase. O ideal é que a mulher, por exemplo, durma sem calcinha, não fique muito tempo com o biquíni úmido e use calcinhas de algodão durante o dia. Consumir exageradamente açúcar e farinhas pode subir a glicose em nível vaginal; com isso, há aumento dos bacilos de Dooderlein que fazem parte da flora vaginal normal, mas que, em excesso, possibilitam o aparecimento de vaginite, que ocorre com a diminuição do pH”, explica.


Protetor diário

Muitas mulheres usam protetores diários por ficarem com corrimentos constantes. O especialista explica que muitas vezes esses corrimentos são causados apenas por um aumento da secreção vaginal, não precisando de tratamento.

“Há vários motivos para isso ocorrer. De qualquer forma, é pior usar absorvente íntimo de rotina fora do período menstrual, principalmente os perfumados, apenas para a mulher se sentir melhor o dia inteiro”, ressalta.

Higiene ideal

Em relação ao combate a odores, o ginecologista esclarece que os sabonetes íntimos podem ser úteis principalmente se a higiene da mulher for inadequada, mas não tiram odores por muito tempo se causados por doença. O Dr. Renato frisa também que a higiene intima ideal da mulher deve ser feita com assepsia, sempre que ela fizer as necessidades fisiológicas e no momento do banho. “O ideal é não usar papel higiênico, apenas lavar e secar bem”, orienta.

Já os lenços umedecidos e desodorantes íntimos devem ser usados apenas em casos extremos, quando é necessária uma higiene num local que não seja adequado. Além dos produtos citados, há cosméticos que estão sendo bastante usados para a área genital em momentos de intimidade do casal. Ele explica que esses produtos, quando de qualidade, não causam problema caso a pessoa não tenha alergia ou a pele muito sensível.